Monday, September 11, 2006

O 1º dia dos últimos três anos

Hoje, 12 de Setembro, completo três anos vivendo em Portugal. Como não é possível transcrever tudo que passei neste tempo num post, vou simplesmente escrever sobre o meu primeiro dia em terras lusitanas.

Assim que saímos do avião, sentimos um certo alívio com o calor do sol em nossos rostos, afinal o clima não parecia muito diferente do que havíamos deixado em Recife. Logo em seguida, ao atravessar a pista do aeroporto, mal nos apercebemos do primeiro sinal das mudanças que iríamos encontrar, uma leve brisa fresca veio para aliviar nosso calor e cansaço. Mal sabíamos que a brisa fria, ao contrário do sol quente, faria parte da nossa rotina na cidade do Porto.


Em meio a curiosidade e preocupação em pegar as bagagens, passar por alfândega e controle de passaportes, nos passou ao largo o segundo sinal da mudança. Não nos esperava ninguém no aeroporto, estávamos sozinhos. Eu, Arnaldo e Ermerson havíamos deixado no aeroporto de Recife, família, amigos e namoradas para estudar um ano na Universidade do Porto. Não sabíamos sequer como íamos chegar à residência universitária.

Pegamos um autocarro (ônibus) para a praça da Galiza e descemos a pé até a residência, as rodinhas da minha mala não resistiram e lá vou carregando uma mala enorme no braço e meu mochilão nas costas. Ao chegar na residência D. Pedro V um susto, meu nome não estava na lista de “hóspedes”. O responsável me diz, para minha perplexidade, que nada poderia ser feito, ou seja, eu tinha que me virar. Depois de muito discutir, descobri que erraram na carta enviada a mim e eu deveria ir a outra residência no outro lado da cidade...

Almoçamos num restaurantezinho típico à beira do rio Douro, cozido à portuguesa, numa cave ao lado da despensa, por que não haviam mais lugares no salão. Na TV, notícias sobre as queimadas em Portugal, detalhe, sendo os primeiros contactos com o português falado aqui, não entendíamos nada do que o repórter ou o apresentador diziam :))), tínhamos que ver as legendas....

De táxi eu e Ermerson fomos à outra residência. Enfim, tínhamos acertado. A residência de Paranhos ia ser minha nova casa. E lá estava meu quarto protinho, cama, estante, armário, aquecedor e banheiro, tudo que eu iria precisar pelos seis meses seguintes.

Depois de estabelecidos, compramos uma sopa instântanea (eu ainda não sabia cozinhar) e fomos à cozinha comunitária da residência, e foi aí que comecei a sentir como ia ser a vida na residência. Começaram a aparecer os outros estudantes para nos dar as boas-vindas :))), e aos poucos fui conhecendo alguns daqueles que seriam minha família à partir dali, brasileiros, portugueses, belgas, checas, finlandeses, angolanos, romenas, moçambicanos... Fui logo convidado para a festa africana que haveria lá mais tarde. Passamos a noite bebendo Super Bock (a melhor cerveja de Portugal), comendo pratos africanos e conversando sobre a vida aqui. Como não podia deixar de ser, nada neste dia foi como eu esperava.

Propositalmente prorroguei a hora de dormir ao máximo, para tentar evitar de pensar no Brasil. Sem nenhum sucesso. Antes de dormir estive deitado por muito tempo, num estado semi-consciente de uma mistura de cansaço, ansiedade, saudade e embriaguês, com as lembranças do que ficou e a expectativa do que viria, embalados pelo que parecia ser o balanço da cama combinada com a sensação de que eu estava girando dentro do quarto, sem compreender muito bem se quando eu acordasse eu iria estar na cama que tão bem conhecia ou naquele lugar ainda estranho.

Friday, September 08, 2006

Outdoor Vulcano - Um sábado diferente


Bom, de volta à Portugal... Depois de um fim de semana reorganizando minhas coisas, participei de um dia de esportes de aventura com o pessoal do meu trabalho. Teve rapel, canoagem, arco e flecha, paintball, subida em cordas de exército. Muito fixe :))) (legal).



Friday, September 01, 2006

Reencontros


Bom, depois de ser acusado de estar enrolando no meu próprio blog :), tomei coragem para escrever sobre minhas férias. Em minha defesa digo que as fotos e músicas não foram por acaso. Primeiro pensei “de que adianta falar do pontal de Maraca, se uma foto já diz tanto, ou para quê tentar descrever a queda do véu de noiva se a foto já impressiona, e finalmente, como explicar a beleza de um passeio do Leme até o recreio dos bandeirantes se... Bem, isso nem com fotos se explica.”


Mas no fundo o motivo não foi esse. O mais importante das férias não foram os lugares e sim as pessoas. Foram 20 dias em que fiz tudo para reencontrar aquelas pessoas que estão distantes e fazem falta, claro que não consegui ver todos, mas foram tantas boas surpresas e fui tão bem acolhido que valeu a pena.

20 dias de férias foram como somar 20 anos à minha experiência de vida, tantas foram as novidades, histórias e causos que vi e ouvi. Alguns noivaram, uns tantos se casaram e claro outros se separaram, teve gente que se mudou e quem já voltou, tiveram ainda uns que arriscaram tudo, outros que se aprumaram e aqueles que simplesmente continuam levando... :))), foram muitos filhos de amigos para ver, muitos rostos para rever e novas pessoas para conhecer, histórias bonitas, histórias tristes, ou apenas histórias... Mas no fim saí com a ótima sensação de que todos estão bem. Uns melhores que outros, claro. Mas simplesmente vivendo, e o mais importante, com alegria. Mas o melhor mesmo foi ser tão bem recebido, e saber que para certas coisas, o tempo demora muito mais a passar.
Enfim, talvez em outra oportunidade eu possa falar da excelente noite de Recife, do bairro da Lapa, da trilha que fiz em Bonito ou do pôr do sol em Guaratiba. Mas desta vez tinha coisas mais importantes para lembrar.

Thursday, August 24, 2006

Pernambuco - O Leão do norte

- Pontal de Maracaípe -

- Véu de noiva - Bonito -
"Sou o coração do folclore nordestino
Eu sou Mateus e Bastião do Boi Bumbá
Sou o boneco do Mestre Vitalino
Dançando uma ciranda em Itamaracá
Eu sou um verso de Carlos Pena Filho
Num frevo de Capiba
Ao som da orquestra armorial
Sou Capibaribe
Num livro de João Cabral
Sou mamulengo de São Bento do Una
Vindo no baque solto de Maracatu
Eu sou um alto de Ariano Suassuna
No meio da Feira de Caruaru
Sou Frei Caneca do Pastoril do Faceta
Levando a flor da lira pra nova Jerusalém


Sou Luis Gonzaga e eu sou mangue também
Eu sou mameluco, sou de Casa Forte
Sou de Pernambuco, sou o Leão do Norte
Sou Macambira de Joaquim Cardoso
Banda de Pifo no meio do Carnaval
Na noite dos tambores silenciosos
Sou a calunga revelando o Carnaval
Sou a folia que desce lá de Olinda
O homem da meia-noite puxando esse cordão
Sou jangadeiro na festa de Jaboatão

Eu sou mameluco, sou de Casa Forte
Sou de Pernambuco, sou o Leão do Norte"
Lenine e Paulo C. Pinheiro


- Museu de Brenand - Recife -



- Praia de Calhetas -

Tuesday, August 22, 2006

A plataforma dessa estação é a vida desse meu lugar



"Mande notícias do mundo de lá
Diz quem fica
Me dê um abraço
Venha me apertar
Tô chegando
Coisa que gosto é poder partir
Sem ter planos
Melhor ainda é poder voltar
Quando quero

Todos os dias é um vai-e-vem
A vida se repete na estação
Tem gente que chega pra ficar
Tem gente que vai pra nunca mais
Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai e quer ficar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar

E assim, chegar e partir
São só dois lados
Da mesma viagem
O trem que chega
É o mesmo trem da partida
A hora do encontro
É também despedida
A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar
É a vida desse meu lugar
É a vida"

M. Nascimento E F. Brant

Monday, August 14, 2006

O Rio de Janeiro continua LINDO !

Baía de Guanabara

Guaratiba

O corcovado e eu


Calçadão de Copacabana

Saturday, August 12, 2006

O Festival de Músicas do Mundo de Sines

Os indianos: Trilok Gurtu & The Misra Brothers

A sensação de ir de um festival de rock no Minho para o festival de músicas do mundo no Alentejo deve ser semelhante a de sair do sertão brasilieiro para o meio do pólo norte. O que era poeira, virou areia; o que eram camisas pretas, viraram camisetas; as caras brancas pintadas viraram rostos bronzeados; e claro, o que era bateria e guitarra, passou a ser percussão e cordas.


Saí sem nenhuma expectativa do que poderia encontrar, e não poderia ter feito melhor. À noite shows espetaculares desde o jazz americano, até o afrobeat africano, passando pela música indiana, num espetáculo do percurssionista Trilok Gurtu que foi o melhor momento dos espetáculos. Ah, a participação brasileira vale a pena destacar. Fomos representados pelo cordel do fogo encantado, que num show performático encantou os tugas, mas não unanimamente claro. Detalhe, os espetáculos eram dentro do castelo de Sines...

Durante o dia, a recuperação da noitada era em grande estilo, afinal o Alentejo tem uma costa privilegiada. Nas redondezas de Porto Covo as falésias e pedras dão o tom (destacadas pelas águas claras). À partir de Melides um areial se estende por trinta quilômetros até Setúbal. Tudo isto com direito a muito sol e brisa refrescante (e não gélida como no norte).

Pire, eu, Vitinho, Ana, Marisa e Rafaela

Enfim, foi a prévia perfeita para as férias, com praia, sol, piqueniques, dormimos ao relento no primeiro dia (com direito a levar susto do trator que limpa a areia na praia), um grandioso jantar alentejano (açorda acompanhada por vinho da região), muito boa música e excelente companhia...

A praia de Porto Côvo

Wednesday, August 09, 2006

Festival de Vilar de Mouros



O grupo estava batizado, a comissão da ONU, éramos um brasileiro, um português, um alemão e uma espanhola. Seguimos então para Vilar dos Mouros, um povoado no extremo norte de Portugal, para nos meter no meio do mato, rodeados por hippies, metaleiros, bichos-grilos e malucos beleza, todos perfeitamente inseridos na sociedade... Sim, essa ironia foi o que mais me fascinou no festival, um evento onde a loucura, como todo o resto, é organizada.
Explicar o clima do festival é tarefa ingrata, afinal estas grandes festas se destacam pelos detalhes, por isso vou tentar passar uma imagem do que foi o festival com umas pequenas passagens.

Cena 1: Dia 1, à entrada do festival. Depois de derrubar alguns finos e uma garrafa de Joi (envenenada com vodka) e eufóricos com a iminência da festa, recebemos a notícia que estávamos na entrada errada, no lado contrário do rio. Para poder trocar os bilhetes, a única solução dada pelos seguranças foi dar uma volta gigantesca por Caminha, que ficava à alguns kilômetros de carro, e a uma hora pelo menos de caminhada. As propostas:
- Miguel Adão (o desenrascanço português) “Ê pá, fazemos assim. Vocês me esperam aqui que eu vou a correr e faço o percurso em meia hora.”
- Eu (o jeitinho brasileiro) “Meu irmão é o seguinte; Eu vou por aqui, atravesso o rio, acho um caminho pela encosta e troco os bilhetes do outro lado.”
- Laura (a sobriedade, em meio à embriaguês, espanhola): “Ma que passa, estam loucos. Tiene que ter outra maneira”
- A lucidez alemã (Andy) “Ê pá, é melhor irmos falar com o rapaz da entrada”
Assim fizemos e resolvemos o problema.



Cena 2: Dia 2, na beira do rio, curtindo uma ressaca. Um senhor (barbudo com cabelão) com sua família toda acampando no festival, começa a contar que tinha ido a todos as 35 edições, exceto a primeira. Eis que chega seu filho todo sorridente.
- Garoto “Pai, olha a pulseira que ganhei.”
- Velhote “Foda-se o pá, pareces uma puta francesa. Deixa de tretas e vai pegar a mortalha (papel para apertar a maconha)”

Cena 3: Dia 3, 11 da manhã cedo na barraca ao lado. Depois de dois dias se alimentando de presunto, queijo, vinho e mais presunto, diversas vezes por dia, nossos vizinhos, dois hippies de meia idade, me vêm com esta.
- Hippie quarentão 1 “Ê pá, comprei um frango pro almoço!”
- Hippie quarentão 2 “foda-se caralho, já temos presunto pra que raio queres o frango? És parvo ou o quê?”

Cena 4: Dia 3, último dia dos shows. Haviam vários casais metaleiros com filhos pequenos lá. O barato era ver a garotada tatuada, com cabelo pintado e curtindo pa valer os shows, inclusive um moleque de uns dez anos com o cabelo punk cantou metade das músicas do soulfly de cima dos ombros do pai (ainda por cima fazendo o sinal punk com as mãos). Mas o que mais me chamou a atenção foi um casal que brincava com os dois filhotes, dois sacos cama e um lençol na noite mais heavy metal do festival. Eles rolavam pela poeira, todos imundos, e no meio disto tudo ainda se via o pai curtindo imenso o show :))))).


Ah, o festival... Os melhores momentos.
- Chutos e pontapés: Excelente. Um show agradabilíssimo. A relação com o público é visceral, me contagiou... Eles são parte da família de todos os portugueses.
- Iggy pop: Que energia impressionante, ainda mais com cinqüenta anos. Não me interessa quantos quilos de droga ele precisou consumir, o cara sabe fazer um bom show. Ele desceu ao público (para o pânico dos seguranças), depois puxou uns malucos ao palco e não parou um minuto. Muito bom!
- Soulfly x Sepultura: Mais vale um cavaleira no vocal do que dois tocando... Uma presença de palco fenomenal e ainda uma palhinha na percursão (que poderia ser maior). E olha que heavy meatl não é, por assim dizer, meu estilo preferido.

Sunday, July 02, 2006

Crônicas de uma morte anunciada

Indiferença. Este é o resumo da passagem do Brasil pela copa do mundo. Perder um jogo para França numa fase mata-mata de uma copa do mundo não é nenhum desastre. Mas perder com tamanha indiferença e falta de vontade é difícil de aceitar. Se já era frustante vencer sem brilho, perder sem luta é inadimissível.
Já sabia que seria difícil para o Brasil chegar ao título em uma copa realizada na Alemanha. Já estava preparado para uma eventual eliminação. O problema foi a maneira como as coisas aconteceram.
Fomos uma sombra de uma equipe, um time apático quando dominado e sem alternativas quando era suposto reagir. Pareciam um bando de desconhecidos que foram chamados à jogar na última hora. Um time sem jogadas e sem espírito, típico de uma equipe mal treinada.
A imagem da copa para nós vai ser o Roberto Carlos ajeitando a meia enquanto o França fazia o gol, síntese de uma seleção desinteressada. Achavam que a qualquer momento tudo se resolveria, mas esqueceram que antes era preciso querer. E num desfecho triste, uma série de discursos preparados, como se uma derrota destas fosse uma coisa vulgar. Apenas o espelho de um técnico sem coragem e motivação.
Mas tudo bem, as pessoas passam, e a seleção fica. Ser brasileiro é isso, rir e chorar com nossas vitórias e derrotas, mazelas e virtudes... Está na nossa natureza, somos passionais. Odiamos e amamos o nosso país com todas as nossas forças. E acima de tudo sabemos que quando tivermos a oportunidade, a decepção virará esperança e iremos colorir novamente o mundo com nossas camisas, bandeiras e alegria. Com a absoluta certeza de que seremos os melhores novamente.

Thursday, June 29, 2006

A vida não pára

"Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
A vida não para
Enquanto o tempo acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora vou na valsa
A vida tão rara
Enquanto todo mundo espera a cura do mal
E a loucura finge que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência
O mundo vai girando cada vez mais veloz
A gente espera do mundo e o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência
Será que é o tempo que me falta pra perceber
Será que temos esse tempo pra perder
E quem quer saber
A vida é tão rara
Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Mesmo quando o corpo pede um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não para"

Lenine

Sunday, June 25, 2006

Os novos baianos

Ontem foi dia de casório. É o segundo casal de amigos luso-brasileiros que casa em dois meses. No mês passado foi o casamento de Leila e Rui (ela soteropolitana e ele portuense), só que na Bahia. Neste eu não estive presente, mas aguardo a festa em terras lusas.
Mas vale a pena contar aqui como é um casamento português. Casamento em Portugal é um acontecimento de proporções épicas :))). São meses de preparação e expectativa para uma imensa festa de arromba. È uma extravagância de comidas, bebidas e músicas, num evento que começa no fim da manhã e segue madrugada à dentro, às vezes até o dia seguinte.

Fabi, Rui, Susana, João, Leila e eu

Depois da cerimônia religiosa na igreja, o festim se realiza invariavelmente em uma quinta (uma mistura da granja com casa de festas). À chegada dos convidados, são servidas as entradas, ainda nos jardins da quinta. Depois as pessoas se distribuem pelas mesas nos lugares previamente escolhidos em função das afinidades. Eu e Fabi, claro, ficamos juntos da turma do barulho, nossos amigos do Porto que são o equivalente à turma do fundão nas salas de aula do colégio. Então começam os trabalhos: entradas, primeiro prato, segundo prato, sobremesa, mesa de doces (calma que não acabou, aqui recomeça o circuito), mesa de queijos, bolo de noiva, jantar, sopa, bombons e digestivos... UFA!!! No meio de tudo isso bebida à borla (à vontade), variando conforme a ocasião, vinhos para as refeições, champanhe para o bolo, vinho do porto como digestivo ou com os queijos, e cerveja, whisky e licores para todas as ocasiões. Toda esta fartura acompanhada por música que também acompanha a sequência da festa, passando de músicas mais calmas, fado e claro música brasuca, por que ninguém é de ferro :))).

Este foi o quarto casamento que fui em Portugal, mas desta vez teve um significado especial. Afinal conheço Susana (portuense) e João, carioca de araque, baiano da gema :))), desde o início do namoro deles. De tudo o que aconteceu na festa, o que me deixou mais contente foi simplesmente poder ver a alegria dos dois. Fica aqui meu desejo de muitas felicidades aos “baianos e respectivos novos baianos” :))).

Xana, Rui, Leila, Fabi, eu, Mari-louca, Rui, Lígia, Daniel (olhem a cara da figura) e Sônia

Rui, Leila, Mari-louca, eu, Daniel e Michel.


Fim de festa!!!

Sunday, June 18, 2006

Prá frente Brasil!!!

"Somos milhões em ação
Pra frente Brasil, no meu coração
Todos juntos, vamos pra frente Brasil, Salve a seleção!!!
De repente é aquela corrente pra frente, parece que todo o Brasil deu a mão!
Todos ligados na mesma emoção, tudo é um só coração!
Todos juntos vamos, pra frente Brasil!Salve a seleção!
Todos juntos vamos, pra frente Brasil!Salve a seleção!"

O trem do terror (tirem-me deste filme!!!!)

Gosto de escrever no meu blog linha por linha, mas quando vi no blog de Fabi o post sobre a nossa viagem de trem de Budapeste para Praga, percebi que já estava tudo lá, e que não ia fazer melhor. Está interessante, engraçado e descreve as coisas exatamente como aconteceram:

“A noite fomos apanhar um trem para Praga, era a noite toda, pois são 7 horas de viagem, resolvemos pegar uma cabine com camas, compramos uma onde teriam 6 camas. Para nossa surpresa e desespero quando entramos no trem que vimos a cabine, deu vontade de chorar! Era uma cabine de 1 metro por 2 mais ou menos, e as camas tipo puleiro, 3 de um lado, 3 do outro e um corredor minúsculo!! Já estavam lá duas meninas. Nessa hora chega o funcionário responsável pelo vagão... Detalhe: o homem tinha ar de maluco, olhos arregalados, uma simpatia desconfiável... Veio logo nos dizer que tinha uma outra cabine vaga, onde poderia nos colocar lá... (Hum, muito bom pra ser verdade), levou-nos a outra cabine. Perguntamos se tinha que pagar algo extra e ele veio logo dizendo que a gente "dava a ele" o que quisesse, detalhe, nos deixou na cabine e ficou com nossos bilhetes! Ficamos apreensivos com medo que ele só devolvesse depois que a gente pagasse o tal "suborno"... enfim, um caos, resolvemos falar com ele que queríamos os bilhetes e íamos voltar ao tal puleiro!
Quando a gente tava conversando com ele, apareceram duas portuguesas e explicaram que era "normal" ele ficar com os bilhetes, pois assim ele não incomodaria durante a noite para "picar" e conferir os bilhetes... Hum, ok, a coisa não era tão mal.Ficamos conversando na cabine das portuguesas, novamente vem o maluco nos servir cerveja, água, pãozinho... (claro, vender na verdade), mas ele disse q tinha preço especial. Esse carinha não me cheira mesmo bem... Fomos finalmente para nossa cabine.No meio da noite acordamos com batidas na porta e berro dos policiais na fronteira, pra carimbar o passaporte, estávamos saindo da Hungria. Que susto, abrimos a porta, o homem tinha uns dois metros, falava lá um Húngaro que eu só entendi no final: passaport!!!!! Afe!! Me senti naqueles trens indo pro holocausto. O homem pegou nossos passaportes, carimbou com tal força, depois tinha outro do lado q também carimbou, e o tal carinha "caricata" por trás deles sorrindo! (acham normal?). "Meu Deus,tirem-me deste filme!". Mais um soninho, e lá vem de novo a polícia. Fogo hoje não durmo! Entramos na República Checa... Mais palavras sem entender, dei o passaporte, mais carimbo! Eu hein!!! Pronto, agora podemos dormir, não há mais fronteiras... Acordei umas duas vezes com o barulho do trem, parecia que ía sair do trilho!! Perto de chegar em Praga, acordo mais uma vez com o maluco falando com Léo, dizendo que tivemos sorte porque o vagão tinha sido roubado, sorte nossa que trancamos a cabine... enfim! Detalhe: ele é quem tomava conta o vagão... Hum mais história desse homem.... Nesse momento ele nos devolveu os bilhetes... meu deus, eu só queria chegar em Praga!
Chegamos, ufa... Pra ele demos um bye, bye... apenas!”

Friday, June 09, 2006

Estádio de Aveiro


Em clima de copa, semana passada fui com o pessoal do trabalho ver um jogo do europeu sub-21 no estádio de Aveiro, de borla (de graça). O estádio é novinho, foi construído para o Euro 2004, muito confortável e é tão colorido que parece um LEGO gigante :))).
O jogo era a semi-final entre dois colossos do futebol mundial, Ucrânia x Sérvia Montenegro (que pelada!!!). Depois de 120 minutos de tortura (0x0 ), o que valeu a pena foram as brincadeiras com o pessoal e a zona qua torcida da Ucrânia fez (só existem mais brasileiros que ucranianos em Aveiro). Bom no final eles venceram nos pênaltis e passaram à final.

:(((( Ai que saudades de ver o MENGÃO jogando no Maraca lotado…

Sunday, June 04, 2006

Posto 4 da Costa Nova


Ano passado eu e Fabi descobrimos o bar de praia quase perfeito em Portugal. Chama-se posto 4 e fica na praia da Costa Nova, no litoral de Aveiro. Já fazem algumas semanas que vamos regularmente à praia, mas domingo foi a primeira vez no ano que fomos lá. Aqui em Portugal estes bares só abrem quando chega o calor.

Domingo a temperatura estava acima de 30º C, e o mais importante, quase sem vento. Aproveitei o bom clima e fiz os 9 kilômetros até lá de bike para encontrar com Fabi, que foi de carro. Que espetáculo, uma redezinha, cerveja gelada e Bob Marley para dar o clima. Só sossego.... Depois, um banho na água super gelada para refrescar. Como Fabi diz, só não é perfeito por que não tem caldinho nem carangueijo :))) (aqui petiscos de praia são tremoços e amendoim)...

Estas casas coloridas que aparecem na foto são o charme da Costa Nova.


Saturday, June 03, 2006

O Museu do terror de Budapeste




Algumas imagens quando marcam, ficam gravadas na nossa memória tão claramente como no momento em que a vimos. Alguns meses depois da minha viagem, consigo lembrar de cada detalhe do museu do terror.

Na segunda guerra mundial, a Hungria aliou-se à Alemanha. Eles haviam perdido uma boa parte do território depois da primeira grande guerra e queriam recuperar o terreno perdido. Como consequência da aliança, durante quase toda a segunda guerra, o país pouco foi afectado, e seus cidadãos (incluindo os judeus) pouco sentiram do terror que estava acontecendo pela Europa. Contudo, nos últimos meses de guerra tudo mudou. Os aliados (Inglaterra, União Soviética e EUA) estavam recuperando terreno e a Alemanha estava acuada.

Neste ponto o partido nazista húngaro (arrow cross) tomou o poder, com o intuito de deixar o país preparado para a recuperação da Alemanha e reaparecimento de Hitler. Começa aí o terror na Hungria. Em alguns meses 40% da população foi dizimada, a cidade destroçada e os judeus enviados para os campos de concentração. A população sofreu neste período tudo o que os outros países sofreram durante toda a guerra. Como se fosse pouco, após o fim da guerra o mundo foi dividido e a Hungria passou para o domínio soviético. Inicialmente a URSS permitiu eleições e o partido socialista (moderado) venceu com mais de 70% dos votos. Poucos meses depois o partido comunista tomou o poder e escolheu como endereço o mesmo prédio, na rua Andrássy, recomeçava assim o terror na Hungria…

O museu está instalado neste mesmo prédio, com o intuito de mostrar tudo o que se passou por lá. Tudo começa com filmes, sons e imagens do domínio nazista. Os vídeos mostram cenas impressionantes da guerra nas ruas, os campos de concentração, os prisioneiros sendo jogados ao rio quase congelado. A sala seguinte mostra a mudança do poder dos nazistas para os comunistas. Logo na entrada tem um documento da época que diz algo do tipo “eu, fulaninho de tal, confesso que até o dia tal, era nazista e cometi diversos crimes contra a humanidade. Contudo a partir de hoje, dia tal, ingresso no partido comunista para me reabilitar deste passado. Prometo que lutarei pela igualdade, justiça ….”. Depois aparece um cabide que fica girando e mostra de um lado a farda comunista e do outro a nazista. Depois desta sala começa a amostra do período comunista, e tome mais filmes de terror.

No fim da amostra comunista, você entra num elevador, para descer para o subsolo. O subsolo era aonde ficavam os prisioneiros de guerra, geralmente políticos, artistas e pessoas influentes que eram contra o comunismo. Sim, por que os pé rapados iam directo para campos de trabalho forçado. O elevador já dá todo o clima, ele começa a descer bem devagar com as luzes apagadas, quase parando, então começa a passar um vídeo com o depoimento de um senhor (que trabalhava no local) que conta como era a vida dos prisioneiros e as torturas que sofriam. São momentos angustiantes, parece que o elevador nunca vai chegar. Quando ele finalmente pára, você entra nos calabouços e tem uma ideia do terror que se passou por ali. São salas com instrumentos de tortura, outras onde não se consegue ficar em pé (tipo caixas), uma onde não se consegue sentar (como caixões na vertical), salas onde se é obrigado a pisar e dormir na água todo o tempo… Em várias delas estão as fotos dos prisioneiros que morreram lá, são desde poetas a ministros… E é com a visão perturbadora das fotos de todos os desaparecidos da época (numa sala toda vermelha, como se pintada com sangue) que o museu termina.

Algumas pessoas mais sensíveis podem achar mau gosto um museu que mostra tanta desgraça, como se a ideia fosse lucrar com isso. Mas se um dia for ao museu vai ver que ele é um tributo a todas as vítimas deste triste passado. E muito mais que isso, este tipo de museu tem o conceito de que às vezes é importante um choque destes para saber o quão terrível o ser humano pode ser, por que só assim podemos evitar de reviver os erros do passado.


Tuesday, May 23, 2006

Jogamos como nunca, perdemos como sempre

No clima dos jogos de primavera :))), a empresa que eu trabalho fez um campeonato de futebol. O rendimento do meu departamento foi pífio, mas pelo menos deu para rir um bocado. Ah, e vamos ganhar o prêmio "equipa fair play", não levamos nenhum cartão. É o que se chama aqui "bom perder".

Campeonato da Vulcano (versão tuga)

Quando cheguei de férias o campeonato já havia arrancado. Havíamos perdido a primeira partida por 7 X 0. Então, marcamos um amigável, para aprimorar o entrosamento da equipa. Apesar do reforço do internacional brasileiro (eu)... nada feito, perdemos por 6 X 0. Mas não havíamos de desistir, pá! No jogo seguinte suamos a camisola e vencemos por 3 x 2, mesmo sofrendo um golo de canto directo.

Eis que estava por vir o jogo decisivo. Se vencêssemos ou empatássemos teríamos grandes possibilidades de nos classificar como segundos colocados da chave. Já estávamos a perder por 3 X 1, mas sempre a dominar o jogo, quando surgiu minha chance. Nosso médio avançado recebeu a bola de um livre, veio a correr em direcção à grande área, fingiu que ia rematar e trocou pra mim. Eu estava bem posicionado, recebi a bola entre o trinco e o defesa esquerda, avancei em direção à balisa e rematei na saída do guarda-redes. A bola entrou encostada ao poste esquerdo. Que ganda golo!!! Olhei para o ábitro auxiliar para ver se não estava fora de jogo. Não estava. Então, foi só correr para comerar com a claque!

Mas não havia mais tempo, logo em seguida o ábitro determinou o fim do tempo regulamentar. Tínhamos a vaca no milho (the cow in the corn!), estávamos eliminados! O resumo do jogo foi: “Jogamos como nunca, perdemos como sempre”. Na última partida, a jogar por feijões, perdemos novamente por 3 X 2.


Campeonato da Vulcano (versão brasuca)

Quando cheguei das férias o campeonato já havia começado. Tínhamos perdido a primeira partida por 7 X 0. Então, marcamos um amistoso, para entrosar o time. Apesar do reforço do gringo (eu), nada feito... perdemos por 6 X 0. Mas não havíamos de desistir, caramba! No jogo seguinte suamos a camisa e vencemos por 3 x 2, mesmo sofrendo um gol olímpico.

Eis que estava por vir o jogo decisivo, se vencêssemos ou empatássemos teríamos grandes possibilidades de nos classificar como segundos colocados do grupo. Já estávamos perdendo por 3 X 1, mas sempre pressionando, quando surgiu minha chance. Nosso meia recebeu a bola de uma falta, veio correndo em direção à grande área, fingiu que ia chutar e passou a bola pra mim. Eu estava bem colocado, recebi a bola entre o volante e o lateral esquerdo, corri em direção ao gol e chutei na saída do goleiro. A bola entrou rente à trave esquerda. Que golaço!!! Olhei para o bandeirinha para ver se não estava impedido. Não estava. Então, fui pra galera!

Mas não havia mais tempo, logo em seguida o juíz terminou o jogo. A vaca foi pro brejo, estávamos eliminados! O resumo do jogo foi: “Jogamos como nunca, perdemos como sempre”. Na última partida, sem valer nada, perdemos novamente por 3 X 2.

Mas tudo bem, pelo menos nos divertimos e isso que importa (discurso típico de quem perdeu :))).

Sunday, May 21, 2006

Buda & Peste


Depois de uma viagem de três horas de trem, iniciamos a parte mais imponente da viagem, chegamos a Budapeste. Não precisa andar muito para sentir que estás mesmo na capital de um antigo império. Em Budapeste os prédios são grandes, imponentes, majestosos... A foto acima é do parlamento húngaro, que é lindíssimo, e do que já vi só perde em beleza para o parlamento inglês.
Dá para se notar que Budapeste ainda está se recuperando de tantas guerras e anos como comunista. A cidade é pura história, mas não dá para esconder a sujeira e má conservação de alguns lugares, o que, contudo, não é suficiente para tirar o charme da cidade. Uma coisa que impressionou foi a quantidade de casas de strip tease e prostituição. Isso só mostra que o Florint (moeda húngara) ainda é muito fraco em relação ao Euro, e que o país ainda está buscando seu lugar na comunidade européia.

Antigamente Buda e Peste eram cidades diferentes, separadas pelo rio Danúbio, hoje são uma coisa só. O lado de Peste é o mais movimentado, as ruas são largas e compridas e é lá que está o parlamento húngaro, o teatro nacional e os principais museus,... Logo no primeiro dia fizemos uma caminhada pela rua Andrássy, a mais bonita e tradicional de Peste. É uma rua cheia de história, pois foi lá que os governantes e diplomatas sempre moraram, desde a época do império austro-húngaro. Ela começa no centrão da cidade e termina no principal parque de Peste, o Városliget. Na rua Andrássy fomos directo para o museu do terror (que merece um post especial) e depois de uma caminhada tirando fotos das casas e prédios, chegamos no pátio dos heróis e entramos no museu Szépmüvészeti (artes plásticas) para passar o fim da tarde vendo alguns quadros e aprendendo algo da história do reinado de Sigismund.


O segundo dia foi espetacular, fizemos todo o turismo de bike. Foi um dos melhores dias de toda a viagem. Demos muita sorte por que os donos do hostel que ficamos, Garbor e Arpord, foram super simpáticos conosco e nos deram altas dicas para nosso passeio. Aliás aqui diminuíram-se as caras emburradas. Nas ruas, as pessoas foram até muito simpáticas e nos perguntavam se precisávamos de ajuda quando nos viam perdidos no meio da rua.

A cidade tem toda a estrutura para andar de bike, é bem sinalizada e tem faixa especial nas ruas. Aproveitamos para conhecer os lugares mais distantes da cidade. Começamos pela beira-rio de Peste e fomos para a ilha Margit que fica entre Buda e Peste. A ilha é na verdade o parque da cidade, onde as famílias vão curtir as horas livres. Incrível como eles sabem aproveitar estes lugares aqui na Europa. O parque é todo verde, cheio de carrinhos e bicicletas para as crianças, laguinhos, lugares para lanches, enfim um lugar super agradável. É o lugar ideal para sentir o estilo das pessoas. Paramos com a bike várias vezes para tirar fotos, ver as crianças e os pais brincando, comemos uns lanches típicos (Lángos)... É o tipo de lugar que eu gosto de estar e curtir.



Depois fomos para o lado de Buda, no bairro do castelo, que é como se fosse a cidade histórica. As ruas são menores e super agradáveis, com tudo muito limpo. Os prédios históricos são espetaculares e mesmo os menores são bonitos, deste lado está a catedral de S. Mathias, o bastião dos pescadores e o enorme palácio real. Além disso a vista para Peste, com o parlamento e a ponte Chain, é de tirar o fôlego.



Depois desta maratona de bike, resolvemos jantar algo típico da Hungria. Pedi umas dicas para o Garbor do Hostal. Ele me indicou um restaurante típico e escreveu o menu que deveríamos pedir :))). Depois do sufoco de Bratislava a barreira linguística não melhorou nada. Pelo contrário, piorou. O Húngaro é tão esquisito que nem os povos vizinhos entendem, esta língua tem algo em comum com o Finlandês e só, para o resto do mundo é um código...

Foi muito engraçado, o Garbor explicou o que eram os pratos mas eu não conseguia imaginar como eram, sabia que um era frango e o outro porco :))). Quando chegamos no restaurante a atendente quase não falava inglês. Me limitei a entregar o papel e rezar :)))). Mas no fim deu tudo certo e aproveitamos uma refeição muito saborosa, graças ao “Anjo Garbor”, como Fabi gosta de falar. Faço questão de colocar no blog o papel que ele nos deu.
No último dia, passeamos pelos lugares que faltavam e almoçamos no mercado da cidade. É muito legal, parece com a casa da cultura (em Recife), com muitas roupas, lembranças, comidas, trecos e bagulhos, tudo misturado. Para entrar no clima, comemos uma sopa Goulash, super tradicional, com outras comidas que não me atrevo a descrever :))). De resto foi descansar um bocado e agradecer aos nossos anfitriões e encher de elogios a linda cidade deles.




Bastião dos pescadores


Bairro do castelo

Saturday, May 13, 2006

1ª parada - Bratislava

Castelo de Bratislava


Começar uma viagem por Bratislava exige um pouco de espírito de aventura. Logo à saída do aeroporto o visual da viagem de ônibus, e o ônibus em si, já mostram que você está numa outra Europa. A cidade tem um aspecto cinzento, com casas velhas, carros caindo aos pedaços (misturados com BMWs e Mercedez), pessoas com cara fechada e muita, mas muita mesmo, propaganda nas ruas, carência de um país que foi comunista por muito tempo...

Não havíamos reservado hotel, e achar um lugar para dormir não foi fácil. Além disso, apesar de recentemente admitida na comunidade européia, a moeda na Eslováquia ainda não é o euro, e deu um bocado de trabalho para se acostumar com a moeda deles (coroa eslovaca), sem dar chance de sermos enrolados :))). Mas o mais difícil mesmo é o idioma. A sensação que dá é que você é um analfabeto. Não há qualquer semelhança com o português ou outra língua que eu ou Fabi conhecêssemos. Você se sente um estranho na paisagem, ao parar na frente de uma loja você simplesmente não consegue distinguir uma sapataria, de uma padaria ou farmácia, não existem pistas que ajudem :))). Para piorar quase ninguém fala inglês, o que eleva o passeio para o patamar da aventura.


Apesar de ser a capital da Eslováquia, Bratislava tem ares de cidade do interior, com pouco movimento nas ruas, pouca coisa para se ver e caras fechadas e desconfiadas. Mas quando se pára para pensar, até dá para entender esta desconfiança, afinal não é fácil para um povo passar por tudo que eles passaram. Em todas as situações que falei no post anterior (de Roma à União Soviética) eles estavam no papel de dominados. E mesmo na altura da República Checo-Eslovaca eles eram o lado pobre. Aprendemos que para fazer turismo no leste da europa vale a pena ser compreensivo, levar tudo na boa e não esquecer que nós é que somos os "intrusos".

Bom, superados todos os obstáculos, fomos para o centro histórico. Aí finalmente começa o turismo. Nesta parte da cidade as construções estão muito melhor cuidadas, mais claras, praças limpinhas, alguns prédios imponentes (o teatro nacional e a old town são lindos) e muitas esplanadas (bares com cadeiras espalhadas pelas ruas) com bastante movimento. O inglês ainda é precário, mas pelo menos se nota uma boa vontade :)). O ponto alto do passeio é chegar ao castelo de Bratislava e curtir o visual. Aí vale a pena todo o sacrifício. O castelo é enorme e belíssimo, com muito verde à volta e vista para cidade e o rio Danúbio.

Teatro nacional de Bratislava


Old town e palácio Primaciálny


Castelo de Bratislava